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Marcio Pires

Jornalismo, Análise Política e Opinião

marciopires.com.br

Câmara analisa projeto que assegura analgesia peridural no parto normal e incentiva práticas de assistência obstétrica humanizada

PL 745/26 prevê analgesia peridural no parto normal, autonomia para gestantes e acesso a métodos de alívio da dor, conforme viabilidade clínica.
Mulher gravida usando roupas pretas

Gestantes poderão ter assegurado o direito de escolher o parto normal com oferta de analgesia peridural, desde que o procedimento seja desejado e clinicamente viável. A medida está prevista no Projeto de Lei 745/26, em análise na Câmara dos Deputados.

Além do acesso à anestesia, o texto amplia as garantias durante o pré-natal, o trabalho de parto, o parto e o puerpério. A proposta também prevê ações de informação e capacitação de profissionais de saúde, com o objetivo de reduzir as cesarianas consideradas desnecessárias.

O projeto foi apresentado pelos deputados Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Laura Carneiro (PSD-RJ) e Socorro Neri (PP-AC). As informações foram divulgadas pela Agência Câmara.

Direitos previstos para as gestantes

O Projeto de Lei 745/26 altera o Estatuto da Criança e do Adolescente para ampliar o rol de direitos assegurados às gestantes. Entre as medidas previstas está a garantia de autonomia informada da mulher, para que ela receba informações e possa participar das decisões relacionadas à assistência durante a gestação e o parto.

O texto também prevê o acesso a métodos farmacológicos e não farmacológicos para o alívio da dor. A analgesia peridural integra o primeiro grupo. Entre as alternativas não farmacológicas mencionadas estão massagens e banhos.

A proposta inclui ainda a presença de doula, a humanização da assistência obstétrica e a adoção de boas práticas no cuidado materno e neonatal. O objetivo é ampliar as possibilidades de escolha e oferecer uma assistência considerada mais alinhada às necessidades da mulher e do recém-nascido.

Informação sobre parto normal com analgesia

Além de alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente, o projeto modifica a Lei 15.221/25. A mudança inclui, entre as ações de divulgação de direitos e cuidados relacionados à saúde materna e neonatal, informações sobre a possibilidade de realização do parto normal com analgesia peridural.

Na avaliação dos autores, o medo da dor do parto está entre as causas do alto número de cesarianas no Brasil. Segundo a justificativa apresentada, ampliar o acesso à analgesia peridural pode fortalecer a autonomia das mulheres e incentivar práticas obstétricas associadas às recomendações de humanização.

A oferta prevista no projeto não é automática em qualquer situação. O texto condiciona o procedimento ao desejo da gestante e à viabilidade clínica, o que significa que a analgesia deverá ser considerada conforme as condições de saúde e a avaliação do atendimento.

Tramitação do projeto

O PL 745/26 tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados. Isso significa que a proposta será analisada pelas comissões responsáveis, sem a necessidade de passar inicialmente pelo Plenário da Casa, conforme as regras de tramitação informadas na proposta.

O texto será examinado pelas comissões de Saúde; de Defesa dos Direitos da Mulher; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Mesmo com a tramitação conclusiva, o projeto ainda precisa avançar no Congresso Nacional. Para virar lei, terá de ser aprovado pelos deputados e pelos senadores. Até a conclusão desse processo, as garantias previstas permanecem como medidas propostas no texto em análise.