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Marcio Pires

Jornalismo, Análise Política e Opinião

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Protestos na França destroem prefeitura histórica de Limoges, que sobreviveu a duas guerras mundiais

Protestos na França destroem o telhado e a torre do relógio da prefeitura histórica de Limoges, que sobreviveu a duas guerras mundiais.
Prefeitura histórica de Limoges, destruída em protestos na França

Incêndio derrubou o telhado e a torre do relógio do prédio neorrenascentista durante manifestações contra o aumento do custo de vida

A prefeitura de Limoges, no sudoeste da França, foi incendiada durante os protestos contra o aumento do custo de vida que atingem o país. O ataque, ocorrido na noite de sábado (17), destruiu o telhado e derrubou a torre do relógio do edifício histórico, inaugurado em 1883.

O prédio de estilo neorrenascentista havia sobrevivido a duas guerras mundiais. Na manhã deste domingo (18), moradores observaram chocados as ruínas da construção, enquanto especialistas avaliavam os danos. As informações foram divulgadas pelo g1 com base em relatos da Reuters e da AFP.

Apenas parte da fachada permaneceu de pé. A cena foi comparada por testemunhas ao incêndio que destruiu a torre da Catedral de Notre-Dame, em Paris, em 2019.

Ataque ocorreu durante onda de protestos

Segundo o prefeito de Limoges, Guillaume Guerin, centenas de pessoas dominaram rapidamente a polícia local. De acordo com o relato, os invasores quebraram janelas e usaram um aríete, um tronco pesado empregado para arrombar portas, para entrar no edifício.

O prefeito classificou o ataque como organizado e premeditado. Ele também criticou a falta de efetivo policial nacional para proteger a prefeitura, já que as forças de segurança haviam sido deslocadas para conter os protestos nas ruas.

“Eu não tinha um único policial nacional para proteger a prefeitura. Este país vai mal, este país vai muito mal, e é um pequeno prefeito de província quem está dizendo isso”, afirmou Guerin, segundo a Reuters.

Prédio era monumento tombado

Inspirada na prefeitura de Paris, a construção era um monumento tombado. Sua torre central do relógio tinha 43 metros de altura e se erguia sobre a praça central da cidade.

Maurice Barate, representante do governo nacional na região, classificou a destruição como uma “catástrofe patrimonial”. Segundo ele, o telhado desabou sobre os andares inferiores, preservando apenas a ala oeste, enquanto grande parte da área externa foi destruída.

Prefeito ameaça renunciar

Guerin afirmou à Reuters que pode renunciar ao cargo caso Limoges não receba 1 milhão de euros, valor estimado em cerca de R$ 5,69 milhões, para reparar o edifício.

Na praça, moradores demonstraram indignação com o ataque. A enfermeira aposentada Edith Lorcen disse estar “enojada” e “magoada”, mas afirmou que aumentar o ódio não ajudaria a enfrentar a situação.