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Marcio Pires

Jornalismo, Análise Política e Opinião

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Crianças desaparecidas em Bacabal: mãe diz que nunca vai desistir dos filhos

Crianças desaparecidas em Bacabal há oito meses: mãe mantém esperança, enquanto investigação da SSP-MA segue sob segredo de Justiça.
Foto de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, crianças desaparecidas em bacabal

Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desapareceram há oito meses na zona rural de Bacabal; investigação continua sob segredo de Justiça

O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completou oito meses na sexta-feira (4), sem que as autoridades divulgassem informações sobre o paradeiro das crianças. Elas desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a 250 quilômetros de São Luís.

Desde então, a mãe, Clarice Cardoso, afirma que mantém a esperança de reencontrar os filhos vivos. “Mãe nenhuma desiste de filho, né? E eu não vou desistir dos meus filhos. Eu nunca vou perder minha esperança de encontrar os meus filhos vivos. Eu sonho e tenho fé que esse dia vai chegar”, disse.

O caso mobilizou forças de segurança, voluntários e representantes do Congresso Nacional, mas nenhuma pista concreta foi divulgada até o momento. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), a investigação continua sob segredo de Justiça.

Família ainda espera por respostas

Os avós maternos das crianças moram ao lado da casa de Clarice e também tentam lidar com a ausência dos netos. Para José Emídio Prego Reis, avô de Ágatha e Allan, a falta de uma resposta mantém a esperança de que eles sejam encontrados.

“A esperança nunca acaba, porque se tivesse acontecido alguma coisa, a gente já tinha uma resposta. A esperança sempre é de encontrar”, afirmou.

A avó Francisca Cardoso acredita que os netos podem ter sido levados por alguém. Ela relata que o som de helicópteros ainda traz lembranças das operações realizadas na comunidade durante o período de buscas.

“A esperança para mim nunca morreu. A gente chora, tem dia que a gente dorme bem, tem dia que a gente não dorme, é assim. Na minha mente eles foram levados. Alguém está com eles, escondido”, disse.

Primo foi encontrado três dias depois

Ágatha e Allan saíram para brincar com o primo Anderson Kauã, de 8 anos, que é autista. O menino foi encontrado com vida por moradores três dias depois, a cerca de quatro quilômetros do local onde os irmãos desapareceram.

Segundo o pai, Anderson recebe acompanhamento psicológico, mas ainda não consegue explicar o que aconteceu depois que o grupo entrou na mata. Após receber alta médica, ele participou, com autorização da Justiça, da reconstituição do caminho percorrido pelas três crianças.

Conforme o relato de Anderson, o grupo saiu para procurar um pé de maracujá e entrou por outro caminho na mata para não ser visto por um tio. O menino também indicou uma cabana abandonada, conhecida como “casa caída”, próxima ao Rio Mearim, onde as crianças teriam passado.

Buscas reuniram cerca de 2 mil pessoas

As operações envolveram policiais civis e militares, bombeiros, integrantes das Forças Armadas e voluntários. Cerca de 2 mil pessoas participaram das buscas por terra e água.

As equipes utilizaram helicópteros, drones, cães farejadores, mergulhadores e equipamentos de sonar. As varreduras incluíram áreas de mata fechada, rios, lagos e as margens do Rio Mearim.

Objetos e roupas foram encontrados durante as operações, mas a família e a SSP-MA informaram que os materiais não pertenciam às crianças. Nenhum vestígio de Ágatha e Allan foi localizado.

As buscas em campo foram reduzidas depois que as equipes percorreram a área delimitada pela investigação. A apuração passou a se concentrar no trabalho investigativo realizado pelas autoridades.

SSP-MA alerta para informações falsas

A última visita de representantes do Congresso Nacional à comunidade ocorreu em maio. O grupo integrava a Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil, criada semanas antes, e foi ao Maranhão para ouvir a mãe das crianças e autoridades responsáveis pelo caso.

Nos últimos meses, publicações falsas nas redes sociais afirmaram que os irmãos haviam sido encontrados ou que seriam vítimas de uma rede internacional de tráfico de órgãos. Também circularam relatos falsos sobre confrontos e mortes de agentes públicos.

A SSP-MA informou que os trabalhos para localizar Ágatha e Allan continuam e que não pode divulgar detalhes porque o caso tramita sob segredo de Justiça. A secretaria alertou que conteúdos falsos ou sem confirmação podem prejudicar a investigação e aumentar o sofrimento da família.

Informações que possam ajudar a localizar as crianças desaparecidas em Bacabal podem ser repassadas pelo telefone 190, da Polícia Militar, ou pelo 181, do Disque-Denúncia. Não é necessário se identificar. Enquanto aguarda respostas, Clarice afirma que continuará procurando pelos filhos e mantendo a esperança de encontrá-los vivos.